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Mielomeningocele na criança: o que é e quais cuidados devem ser tomados

Dra. Ana Gabriela Santana Cuoghi – A mielomeningocele é um defeito do tubo neural do feto intraútero que pode ser identificado no exame de ultrassom morfológico e, em outras vezes, apenas no nascimento do bebê.

Quando o tubo neural está exposto, é necessária uma cirurgia precoce realizada ainda na maternidade por um neurocirurgião. A mielomeningocele pode também vir associada à hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro), uma condição que também pode ser corrigida no intraútero.

A mielomeningocele é dividida em níveis, pois a coluna pode ser acometida desde o nível torácico (alto) até o nível sacral (baixo). Conforme o nível apresentado por cada criança, ela vai apresentar um acometimento neurológico relacionado àquela lesão.

Na questão ortopédica, apesar de não ser uma regra geral, algumas crianças nascem com a deformidade do pé torto congênito, outras nascem com displasia do quadril.

O ortopedista pediátrico é o médico encarregado de cuidar da parte motora e do desenvolvimento ósseo, prevenindo as deformidades e dando condições para que essa criança fique em pé, se desenvolva e tenha um bom treino de marcha.

Alguns dispositivos podem ser utilizados no auxílio à criança, como órteses para preservar e evitar deformidades no pé. As rígidas são mais utilizadas, mas em alguns casos pode-se decidir por uma órtese articulada.

É importante saber que o neurocirurgião e o ortopedista pediátrico devem acompanhar o tratamento da mielomeningocele, que envolve também uma equipe multidisciplinar para o bom desenvolvimento da criança: fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, e em algumas situações suporte fonoaudiológico.  A criança pode também apresentar bexiga neurogênica, o que torna importante a fisioterapia de biofeedback na parte urinária.

Na ortopedia pediátrica, o foco é normalmente quadril, joelho, pé e alinhamento da coluna vertebral.  Com relação ao quadril, quando a criança tem um nível alto de mielomeningocele (torácica ou lombar alto), é comum os quadris luxarem devido à falta de força muscular pela inervação ausente. Nesses casos, diferente da paralisia cerebral, a cirurgia não é indicada para relocar o quadril porque ele vai luxar novamente.

Referente aos pés, no pé torto congênito é realizado o tratamento de Ponseti, com excelente resultado.

Com relação aos joelhos, deve-se prestar atenção às contraturas em flexo, com realização de fisioterapia; em alguns casos as crianças usam tutor ou talas extensoras para deambular.

Para a coluna, um fisioterapeuta e um especialista em coluna devem ser consultados para avaliar se o caso é cirúrgico ou não.

Podemos concluir que a mielomeningocele é uma enfermidade que tem tratamento e a criança acometida pode ter um excelente prognóstico de marcha, desde que cuidada precocemente.

Dra. Ana Gabriela Santana Cuoghi é médica ortopedista pediátrica da equipe do Instituto Wilson Mello. CRM: 118.001 / RQE 125633

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