Fraturas no idoso

Publicado em 14/06/2017

As fraturas nos idosos, principalmente as do fêmur proximal, são de grande importância tanto para o Ministério da Saúde como para o idoso e sua família. O Serviço Único de Saúde (SUS) despende grande parte de seus recursos para as patologias ortopédicas, dentre elas as fraturas nos idosos. E no inverno, a incidência aumenta ainda mais devido ao maior número de vezes que o idoso se levanta para ir ao banheiro à noite, quando, infelizmente, acontecem as quedas.

As principais fraturas nos idosos são as fraturas proximais do fêmur, da bacia, do punho, do úmero, do tornozelo e da coluna vertebral, decorrentes de traumatismo de baixa energia. As fraturas do fêmur constituem o problema maior, porque, em cada quatro pacientes acometidos, um não sobrevive além de um ano; e somente metade dos pacientes consegue recuperar seu nível de atividade de antes da fratura, visto que pela idade avançada estes pacientes também apresentam outras doenças associadas e limitantes.

Não podemos falar de fratura no idoso sem abordarmos sua principal origem: a osteoporose. Essa é uma doença que leva à diminuição e ao enfraquecimento da massa óssea, causando fragilidade óssea e consequentemente a predisposição a fraturas. É insidiosa e assintomática e a ocorrência de qualquer fratura sinaliza que a osteoporose está se manifestando. Mulheres na pós-menopausa, de pele e olhos claros, magros, orientais, tabagistas, alcoólatras e indivíduos que na juventude foram sedentários e não ingeriram dieta rica em cálcio são mais vulneráveis às fraturas decorrentes de osteoporose.

Entre as mulheres idosas, 30% caem pelo menos uma vez ao ano e, entre as que vivem em instituições geriátricas, esse valor chega a 50%; 3 a 5% dessas quedas resultam em fratura com incidência de 1% na extremidade proximal do fêmur. Após os 75 anos de idade, há aumento destas quedas pelas deficiências de controle neuromuscular, músculos enfraquecidos, redução da acuidade visual, reflexos retardados e inclusive efeito colateral devido à associação de uso de medicamentos. A densitometria por absorção dupla DXA continua sendo o exame padrão ouro para o diagnóstico da osteoporose.

Como para qualquer doença crônica, a prevenção é a melhor aliada para evitarmos as complicações da osteoporose. Exercícios para melhorar e estimular a força muscular, o equilíbrio, a propriocepção (sensação do corpo no espaço) e o treino de marcha devem ser instituídos. Sapatos adequados e confortáveis com solado antiderrapante devem ser usados. Tapetes soltos devem ser removidos e pisos antiderrapantes devem ser instalados em toda a casa. Os degraus precisam ser eliminados (desníveis maiores que 2 cm  representam obstáculos aos idosos).

Em casa, os móveis devem ter as extremidades arredondadas e serem fixos nas paredes. A iluminação deve ser satisfatória, lâmpadas-piloto acesas durante toda a noite nos pontos críticos desempenham papel importante na prevenção de quedas. Bengalas ou mesmo andadores devem ser recomendados quando a marcha for insegura. Suportes em alça instalados no chuveiro e banheiro amplo, com vaso sanitário alto e sem box para permitir que o idoso sente-se em uma cadeira para tomar banho, também são indicados. Barras de apoio em toda casa tornam o deslocamento do idoso mais seguro.

A alimentação desempenha papel fundamental nessa faixa etária, na qual certa deficiência proteica é frequente e comum. As medicações devem ser tomadas com acompanhamento médico e realizados exames posteriormente para verificação da melhora no quadro de osteoporose. A ingestão diária de 1.500mg de cálcio (Ca) é imprescindível. Quando não forem fornecidos pela dieta, impõe-se a suplementação com sais de cálcio e vitamina D.

Medicamentos à base de hormônios podem ser necessários, como o raloxifeno. O alendronato de sódio na dose de 70mg por semana é o mais usado na osteoporose, porém sua absorção é precária e pode causar lesão  no esôfago. Para facilitar a absorção, deve ser ingerido em jejum com um copo com água. Após a ingestão, o paciente deverá ficar sem se alimentar por 30 minutos e, durante esse período, permanecer em pé para evitar o refluxo. Outras medicações são usadas, cada uma dependendo do perfil clínico, social e econômico do paciente.

 

Dra. Cíntia Bittar é ortopedista, especialista em Cirurgia do Pé e Tornozelo da Clínica de Ortopedia do Instituto Wilson Mello




 

 

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